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História: Urbano retrô

História

historiaPura, delicada, passiva, submissa e bela, assim deveriam ser as mulheres vitorianas, no entanto com uma figura forte como a da Rainha Vitória e escritoras audaciosas como, Charlotte Bronte, a personalidade feminina ganhou voz em um vestuário que inspira o mundo da moda até os dias de hoje. Entre babados, plissados, golas imponentes, mangas e saias bufantes, espartilhos apertados e cores sóbrias, as damas da sociedade mostravam toda sua leveza e elegância e deixavam sua marca na história.

“Babados e tecidos metalizados, aplicados em vestidos de festa, casacos e calças também trouxeram ares vitorianos para o desfile da marca Fabiana Milazzo” Hildo Fabri

Os babados da era vitoriana foram a inspiração inicial para a coleção desfilada pela 2DNM, que mostrou nas passarelas do SPFW 43

Andarilho Urbano / Agência Fotosite, Marcelo Soubhia / Agência Fotosite, e Wikimedia Commons

Urbano retrô

No século XXI a palavra de ordem é empoderamento, e as mulheres voltam às raízes da moda vitoriana em busca de roupas fortes, elegantes e cheias de feminilidade. Cortes retos e geométricos se misturam com mangas bufantes e golas cheias de babados, tecidos brilhantes e robustos ganham às ruas com modelagens clássicas, porém confortáveis. O resgate do estilo feminino do século XIX é uma forma de homenagear as mulheres que começaram uma luta sem voz, gritando por um mundo de igualdade.

Resignadas a uma vida doméstica, composta de compromissos sociais como organização e participação em bailes, visitas à igreja ou à paróquia da cidade ou um chá durante a tarde com outra respeitável dama. As mulheres da era vitoriana deixaram sua marca na história com seus trajes suntuosos e rebuscados, constantemente reinventados por estilistas de todo o mundo, até os dias de hoje. Nas passarelas internacionais, Rei Kawakubo, responsável pela renomada Comme des Garçons, é uma das amantes mais ávidas deste período. Seus designes constantemente evocam a mulher pomposa do século XIX, com muito tecido e babados, onde o mais é sempre melhor.

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Para o produtos de moda Hildo Fabri, o período vitoriano também pode ser encontrado nos detalhes das peças que valorizam o plissado, formas amplas de modelagem, bordados e a mistura de tecidos estampados e lisos, na coleção da marca Alexandrine, assinada por Dinho Batista, em sua estreia no São Paulo Fashion Week. “Babados e tecidos metalizados, aplicados em vestidos de festa, casacos e calças também trouxeram ares vitorianos para o desfile da marca Fabiana Milazzo. A estilista também reviveu os espartilhos de forma lúdica e moderna, redesenhando-os com viés de cetim como se estivessem sidos costurados a mão”, destaca Fabri.

Os babados da era vitoriana foram a inspiração inicial para a coleção desfilada pela 2DNM, que mostrou nas passarelas do SPFW 43 referências ao andarilho urbano, com sobreposições de tecidos. As peças ganharam ainda mais personalidade com um mood étnico, que foi buscar na civilização Inca referências para a nova coleção, com bordados, aplicações e adornos luminosos ao seu DNA urbano.

Shapes volumosos e amplos, típicos do século XIX, aparecem em calças clochard ou de modelagem masculina, jaquetas oversized e parkas. Camisas de sarja tinturada ou jeans ganham acabamentos com bordados manuais e aplicações também ganham volume em linha com o street style.

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GiG Couture SPFW - N43 Março / 2017 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE
GiG Couture
SPFW – N43
Março / 2017
foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

A GIG Couture, por sua vez, traz influências urbanas associadas a moda street e retrô para o Inverno 2017. Fiel a suas inspirações, seguindo sempre seu instinto de manter elos entre as coleções, a estilista Gina Guerra dá continuidade ao trabalho de concepção já presente na marca, porém, ultrapassando limites ao preparar um mix de peças com um forte espírito urbano traduzido nas modelagens.

O mood vem dos anos 70, 80 e 90 que aparecem em calças flares, em composição com vestidos e corseletes estilo vitoriano. Os plissados, sucesso garantido da marca, trazem nova leitura para a temporada. As apostas vão para macacões, calças joggers usadas com croppeds com manga bufante, jaquetas de modelo ski vintage que sobrepõem vestidos midi evases, leggings de cintura alta e blusas max ombros. Na cartela de cores estão o preto ônix, o mix de preto com dourado e preto com prata, verde militar e terracota.

GiG Couture SPFW - N43 Março / 2017 foto: Ze Takahashi / FOTOSITE
GiG Couture
SPFW – N43
Março / 2017
foto: Ze Takahashi / FOTOSITE

A qualidade do tricô e de suas tramas permite a criação de uma modelagem que valoriza as linhas do corpo e ainda brinca com cortes, shapes e caimentos. Tudo com a proposta da marca de apresentar peças femininas e inovadoras, mas também divertidas e com um toque sexy.

Os estilistas conseguiram transformar um vestuário que era marcado pela falta de conforto, com estruturas restritas e tecidos pesados, remetendo à riqueza e nobreza de princesas e rainhas, para a realidade da mulher moderna com o uso de tecidos leves que moldam o corpo e são muito confortáveis e práticos. “O período vitoriano foi muito rico para a moda e o desenvolvimento de novas peças para o vestuário feminino foi muito grande, com isso novos estilos foram se criando, por isso é e, acredito eu, sempre será lembrado pela moda com versões adaptadas sem perder as suas características de elegância e feminilidade”, completa Fabri.