Florescer (Wanda Barcelona)

O processo de renovação e readaptação às novas condições é fundamental para a manutenção da existência humana, e isso também se aplica ao universo da criação. Transformar elementos ordinários em objetos extraordinários e ressignificar a realidade na qual são usados é uma arte de sobrevivência e paixão. Quanto mais se busca, mais possibilidades são descobertas para novos horizontes.

ARTE COM PAPEL

O atelier Wanda Barcelona é reconhecido mundialmente por transformar papel em obras-primas que traduzem as batatais de seus clientes num mundo lúdico de puro encantamento. Inti Velez Botero é o arquiteto, responsável pela concepção dos espaços, Daniel Mancine é o designer, que os preenche com objetos únicos, e Iris Joval é a artista plástica, responsável por surpreender a todos com suas criações. Por meio de técnicas tradicionais, adaptadas com o uso de tecnologias de última geração, o papel é transformado numa matéria-prima multifacetada, capaz de ser ressignificado em diferentes formas, tamanhos e texturas.

“O PAPEL É A NOSSA TELA EM BRANCO, NOSSA TINTA E NOSSO PINCEL” Inti Velez

Foi na infância que Inti Velez Botero teve seu primeiro contato com o papel: por ser uma criança hiperativa encontrou no origami a distração e adrenalina que as crianças contemporâneas encontram nos videogames. Já Daniel Mancine, que desde a mais tenra idade já apresentava grande potencial artístico, experimentou diversos materiais para represen- tar suas ideias de maneira tridimensional, mas foi apenas na universidade, onde sua economia era restrita, que apos- tou todas as suas fichas no papel, material mais barato que conseguiu encontrar.

“O PAPEL É A NOSSA TELA EM BRANCO, NOSSA TINTA E NOSSO PIN-CEL”, AFIRMA INTI VELEZ BOTERO EM ENTREVISTA EXCLUSIVA PARA A REVISTA MANOEL BERNARDES. O ARQUITETO EXPLICA QUE TRANS-FORMAR ELEMENTOS ORDINÁRIOS EM PEÇAS EXTRAORDINÁRIAS RE- QUER MUITO TRABALHO, PAIXÃO E HORAS DE PACIÊNCIA. “QUANTO MAIS TRABALHAMOS COM ESSE MATERIAL, MAIS POSSIBILIDADES DESCOBRIMOS”, finaliza.

PROCESSO CRIATIVO

“O primeiro passo é conhecer o cliente e discutir o projeto. É muito importante en-tender o que ele quer de nós, o que ele espera, e obter toda informação necessária para tornar único esse projeto artístico. O segundo passo é transformar essa ideia em protótipos, feitos com papel, facas e tesouras. A partir do momento que as peças são aprovadas a tecnologia entra em cena para transformar o rascunho em arte final!”, explica Inti. No momento da montagem é tudo feito a mão, para um toque final mágico e personalizado, além disso o projeto só termina quando os artistas desmontam as instalações e garantem a reciclagem de todo o material utilizado, ressignificando mais uma vez os objetos.

UMA RÉPLICA DOS JARDINS MISTER DIOR COM FLORES E VEGETAÇÕES BRANCAS FOI O DESAFIO DO ATELIER PARA O MUSÉE DES ARTS DÉCORATIFS, EM 2017

“O SEGREDO É SEMPRE OLHAR, OUVIR E PROVAR. O MUNDO É UMA FONTE INTERMINÁVEL DE INSPIRAÇÃO”, ALERTA O ARQUITETO QUE ESTÁ SEMPRE LIGADO NAS TENDÊNCIAS DE MODA E MÚSICA, MAS USA SUAS VIAGENS PARA REALMENTE ENXERGAR O MUNDO AO SEU REDOR. “ACREDITAMOS QUE A CULTURA E AS DIFERENÇAS SÃO O QUE FAZEM O MUNDO UM LUGAR ÚNICO, PRECISAMOS APRENDER E INSPIRAR UNS AOS OUTROS”