Estilo

O avesso do avesso

MARY ARANTES INVERTE A LÓGICA E COMPROVA QUE A SIMPLICIDADE É O JEITO MAIS CHIQUE DE DESFRUTAR A VIDA

A pluralidade sempre fez parte da rotina de Mary Arantes. Empresária, curadora, designer e escritora, essa mineira, nascida no Vale do Jequitinhonha, adora inventar moda, embora faça questão de dizer que anda na contramão das obrigatoriedades fashion. “Não me interesso pelo que se está usando, seja a cor do momento ou outras tendências. Prefiro transitar pela ‘terceira margem do rio’. Tenho estilo próprio, que se resume a vestidos e saias amplos e chinelos. Quase nunca subo no salto”, confessa.

Sua residência segue esse quê despretensioso, com arte e artesanato por todos os lados, móveis salpicados de objetos, que revelam uma biografia rica, curiosa e intensa. “A casa é o espelho de quem vive nela. Aqui é colorido, verde, cheio de plantas. Sou barroca total! Adoro deixar a porta da rua aberta e sentir o vento entrando, varrendo tudo e trazendo vida para dentro dela.” Ela é uma anfitriã de hábitos simples, porém acolhedora, que curte receber amigos e compartilhar a mesa. Por sinal, a gastronomia é um caso de amor à parte. Mary fez escola de culinária com Humberto Passeado durante 14 anos. “Sinto dificuldade em comer sozinha, sempre imagino que o que estou comendo, mesmo que seja uma carne moída com abóbora – um dos meus pratos preferidos –, poderia ser dividido com algum amigo. As panelas são imensas, quem chegar sem avisar, já pode ficar para almoçar. Bolo tem que ter sempre, as visitas já sabem, entram e já vão direto pegar uma fatia; fica ao lado do café.”

A sala é hiperdinâmica, longe do branco imaculado, com cara hospitalar que a faz torcer o nariz. Tudo ali tem função. “Os meus filhos sempre tiveram licença poética para transformar os principais ambientes em uma lan house, quando elas ainda eram raras na cidade, com uma porção de gente se revezando por aqui.”

No outro extremo do layout, o quintal desponta como refúgio – e é o seu lugar perfeito para recuperar as energias. “Preciso me sujar de terra, molhar os pés com a mangueira e presenciar a vida que existe num jardim. Plantas que nascem sem terem sido plantadas, como um pé de tomate que brotou recentemente ou dos pés de framboesa que crescem espalhados pelo quintal. A sabedoria da natureza me comove. Tocar o alecrim, manusear o manjericão e sair deles perfumada vale muito mais que as cinco gotas de qualquer perfume famoso.”

Quando está zanzando por Belo Horizonte, ela dá um jeito de parar em alguma livraria. A leitura é o seu hobby favorito. “Livro de duzentas, trezentas páginas, traço em poucas horas. Sou uma engolidora de livros! É como dizia Jorge Luis Borges: ‘Imagino o paraíso como um tipo de biblioteca’.” E com tanta disponibilidade em aprender coisas novas e aprimorar hábitos antigos, Mary conta que o seu processo criativo é intuitivo, divertido, leve e fácil. “É quase como uma brincadeira. Mas se ele não flui por alguma razão, preciso tocar, sentir, olhar os objetos, escutar o que querem ser. Ou como diz uma querida amiga: ‘É preciso ter olhos de ver’.”

“SEMPRE GOSTEI DO QUE APARENTEMENTE NÃO É BELO E ATÉ MESMO DESPREZÍVEL. O ESTRANHO ME FASCINA”

Focada em executar os seus “pequenos-grandes sonhos”, a designer está em um momento de paz. “Meditar diariamente tem sido uma conquista. Pesquisar orquídeas, num curso oferecido pela Fraternidade Olhos da Luz, em Sabará, é outra realização. Tenho feito eventos – Quermesse da Mary (que está na nona edição) –, cujo foco é a valorização do artesanato e do pequeno produtor. Passo os dias visitando ateliês, conhecendo artistas e suas criações, e o exercício de ser curadora e trabalhar a quatro mãos, abastece por completo o meu lado inventivo.” Predicado, este, que floresceu ainda na infância, quando a garota do Jequitinhonha acreditava que o sertão era o pé de umbu com seus galhos emaranhados, que na época de seca servia de esconderijo para ela e os sentimentos que fervilhavam em sua mente.

Décadas à frente, Mary interpreta o sertão com bonança e percebe que mesmo em solos estéreis, a arte é capaz de vingar. “O artesanato surge da necessidade de um povo. E ela vem do nada. De um toco de madeira faz-se a escultura mais bela, do barro da beira do rio, as cerâmicas indizíveis, da taquara da lagoa, cestarias e tramas inimagináveis. Nenhum material é comprado, tudo vem da natureza. Mas é da natureza do homem da cidade acreditar que esta arte tão nossa, tão brasileira, é apenas para a casa de campo. Na casa da cidade só é permitida a entrada de obras maiores… Mas o que são obras maiores, meu Deus?!”

Sem ter todas as respostas, ela segue na trilha do conhecimento – e entre as atividades cotidianas, tem tempo para as aulas de literatura com Reinaldo Martiniano Marques. “Quero me debruçar sobre a escrita, lançar novos livros de crônicas e uma autobiografia”, pontua. Como diria Borges, “A vida é uma conjectura” – e sempre deve ser divisível.

DEDO DE PROSA

Prato preferido? Bacalhau, qualquer receita e mexido, amooooo! Sobremesa? Torta quatro leites da amiga Mary Reis Drinque? Água tônica com gelo e limão Palavra-chave? Simplicidade Música? Prefiro o silêncio, mas amo a orquestra de pássaros no meu quintal ao amanhecer. O som do sino do vento também me embala Livro de cabeceira? Os Cinco Sentidos, de Michel Serres, e História da Alimentação, de Câmara Cascudo APP do momento? Insight Timer, de meditação. E a minha intenção em relação às mídias sociais é usar cada vez menos emojis e mais palavras. Escrever menos MSN e telefonar mais, escutar a voz O que te faz sair de casa? Encontrar as pessoas O que te faz ficar em casa? Dia de chuva, cama e livro. Sou a pessoa mais dorminhoca do planeta O que nunca falta na sua casa? Pão para dividir O que sempre falta na sua casa? Doce, como “Moreco” e eu estamos fofinhos, procuro não comprar, pois se tiver… Lugar imperdível? Nossa varanda com vista para a Serra do Curral, camarote pra assistir ao nascer da lua Com quem você adoraria ter um “dedo de prosa”? Com Jorge Luis Borges, se ele estivesse vivo

Deusas Modernas

Com vitalidade, espiritualidade e amor, as deusas da mitologia grega Deméter, Perséfone e Afrodite inspiram a força e a feminilidade. A Revista Manoel Bernardes buscou personalidades brasileiras que traduzem a essência dessas deusas destacando-se como referências em suas respectivas áreas de atuação por meio de ações que reposicionaram sua imagem perante o mercado. Seja pelo resgate e pela valorização da terra, outro olhar sobre a beleza feminina ou a aceitação do poder da sedução na vida da mulher moderna.

LUZ E SOMBRA

Fotógrafa há dez anos e natural de Belo Horizonte, Jo Magalhães é especialista em fotografia feminina e no projeto Pele & Pedra usou a nudez como um símbolo da liberdade. “Busquei ressaltar a delicadeza do corpo feminino em contraste com a dureza das rochas, destacar os músculos com os movimentos reais da escalada de forma sutil e natural, sem vulgaridade. Trabalhei luz e sombra de forma a evitar o erotismo”, explica. A ideia por trás das fotos foi exaltar o direito de livre expressão das mulheres, com consciência de si mesmas e mostrar que um corpo pode ser contemplado sem que seja posto como objeto de desejo. Para Jo o empoderamento feminino é um processo de transformação. “A MULHER ESTÁ REVENDO SUA AUTOESTIMA, SUAS CAPACIDADES, SUA HISTÓRIA. TUDO SEM AMARRAS E SEM PRECONCEITOS”, conclui.

FORÇA DA TERRA

A jornalista Manoella Buffara trocou a comunicação escrita e falada pela puramente sensorial com a gastronomia. Ao abrir seu restaurante autoral, o Manu, começou também um projeto com produtores locais que deu visibilidade mundial para sua carreira. “O projeto de Ilha Rasa, premiado pelo Basque Culinary World Prize, começou com uma expedição para conhecer fornecedores no litoral paranaense. Lá percebi que para termos um produto melhor era preciso que eles entendessem o que tinham em mãos. Por isso formamos uma cooperativa, com informação para todos e preço justo para os insumos”, explica. Hoje a cooperativa já caminha sozinha e a chef está se dedicando a um projeto de Hortas Urbanas na Região Metropolitana de Curitiba. “Quando as pessoas entendem da onde vem o alimento elas comem melhor e com o desenvolvimento de produtos locais geramos menos combustível, promovendo um negócio mais sustentável”, afirma a chef que sempre teve contato com a terra. “PLANTAR, COLHER E ESCOLHER CADA INGREDIENTE SEMPRE FOI IMPORTANTE PRA MIM. CONHECENDO O INGREDIENTE E USANDO-O COM CRIATIVIDADE VOCÊ VAI TER SEMPRE UM PRATO ESPETACULAR!”

PODER E SEDUÇÃO

Aos 65 anos a atriz Bruna Lombardi empresta toda sua sensualidade e seu talento para a sexóloga Sofia Prado em A Vida Secreta dos Casais, série da HBO exibida em 2017. A produção foi em parceria familiar com o filho Kim Riccelli e o marido Carlos Alberto Riccelli e aborda a dificuldade de diversos pacientes com um tema em comum: o sexo. Considerada uma das mulheres mais belas da TV brasileira, após dez anos dedicados exclusivamente ao cinema e a diversos papéis de destaque em novelas nacionais, a atriz ainda enxerga uma limitação nos personagens femininos e pretende quebrar tabus com um roteiro que expõe o sexo como um direito de cada um. “O TANTRA É UM LUGAR ONDE O SEXO É SAGRADO, É UMA POESIA, UMA ELEVAÇÃO. UM LUGAR ONDE O SEXO NÃO É EXPLORAÇÃO. O SEXO É UM DIREITO DE CADA UM E É POSSÍVEL DESCOBRIR POR MEIO DESSE CANAL UM PATAMAR MAIOR. NO TANTRA VOCÊ CONHECE MELHOR SUAS RELAÇÕES, NÃO SOMENTE AS SEXUAIS”, afirmou em entrevista para um site de entretenimento. Ambientada em grande parte na clínica tântrica, a série tem muitas cenas mostrando como funciona a terapia sexual. A personagem de Bruna não só dá conselhos para seus pacientes, mas encoraja-os a explorarem sua sexualidade e sensualidade de maneira prática.

Movimento: Inquietude Sinuosa

Contraditórias noções de espaço e ritmo ecoam persistentemente pelo ego psicanalítico de Deborah Colker. Desse universo de perguntas sem respostas, brotam caminhos e sentidos que se materializam em movimentos orgânicos no palco. Os corpos herdam, então, a inquietude sinuosa de sua criadora. A coreografia tangível questiona a gravidade, transgride os limites da física e, simultaneamente, apresenta uma refinada simplicidade, transformando cada elemento humano em um ressonante instrumento da linguagem sinestésica. É impossível permanecer inerte diante das possibilidades infinitas que se absorvem deste instigante processo criativo. Seu nome? Dança.

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Deborah Colker, bailarina e coreógrafa, também se define como diretora de movimento. O termo, a princípio impreciso e reducionista, sugere a reinvenção do ofício, uma autodesconstrução ininterrupta em prol da mise en corps coletiva e plural. Sob esta definição, ela imprime seu DNA em dezenas de espetáculos, amplamente reconhecidos pela crítica nacional e estrangeira. O vocabulário próprio reivindica o trânsito entre o balé clássico e o jazz; entre a arte circense e a urbe da dança contemporânea; entre os palcos e os videoclipes. Também tem o cuidado de contar uma história, mesmo que, por vezes, abstraída pelos flanar dos bailarinos. A ação sobrepuja a técnica, essencial, porém, incompleta se desassociada da emoção e da expressividade experimental.

A dança artesanal de Deborah explodiu, literalmente, em Vulcão, espetáculo de estreia da Companhia de Dança Deborah Colker, nos idos de 1994, no Theatro Municipal do Rio. A jovem carioca, porém, já trafegava pelo universo do movimento desde 1979, como bailarina do grupo Coringa, da uruguaia Graciela Figueiroa, além de ter se dedicado ao voleibol e ao piano clássico na adolescência. Conduzida pelas mãos da atriz Dina Sfat, a criadora-criatura passou a direcionar seu talento para as artes cênicas. Assim, Deborah Colker se transformou em uma marca, estampada em espetáculos como A Serpente (Nelson Rodrigues), dirigida pelo saudoso Antônio Abujamra; Sonhos de Uma Noite de Verão (Shakespeare), com direção do alemão Werner Herzog, e Desejo (Eugene O’Neill), de Ulysses Cruz.

Foi Cruz, aliás, quem cunhou a expressão “diretora de movimento”, pensada na época para a própria Deborah e, hoje, já completamente incorporada aos jargões de classe. A homenagem não veio por acaso e ficou bem clara ao público e à crítica quando, já na direção da companhia, ela deu vida à Velox (1995), talvez o mais provocante e reconhecido espetáculo de sua carreira. Tradução para veloz, em latim, a obra se propõe um diálogo entre a dança e o atletismo. O ápice da troca se dá em ritmo em rock’n roll, tema da dança totalmente vertical ao alto de uma parede de sete metros, onde os bailarinos desafiam a mecânica gravitacional e os limites da ocupação do espaço.

Rota (1997), outro grande marco da companhia, se volta para a erudição da música de Mozart e Schubert, entremeadas às batidas pop do Chemical Brothers. O movimento das cenas também subverte a lógica do balé clássico. Inspirada por uma viagem à Disney World, Deborah coloca em cena uma estrutura semelhante a uma roda-gigante de ferro e convida os bailarinos – e ela própria – a interagirem com aquele corpo estranho por meio de acrobacias. Como se faltasse ousadia, a obra funde a estética pós-moderna à música de pano de fundo, o “Conto dos Bosques de Viena”, de Strauss. “A combinação da música clássica com movimentos fortes e dinâmicos é a maneira que encontrei para traduzir o que está acontecendo no mundo hoje. Não podemos ficar presos apenas às referências do passado. Está na hora de criar os clássicos do futuro”, afirmou a bailarina-diretora, na época, ao jornal Folha de S.Paulo.

A ligação entre passado e futuro do presente também rendeu releituras de obras literárias. Em Tatyana (2011), Deborah bebe na fonte poética do russo Alexandre Pushkin, autor do romance em versos Eugênio Oneguin e de músicas de compositores conterrâneos ao autor, como Rachmaninov, Tchaikovsky, Stravinsky e Prokofiev. Construído em dois atos, é mais uma história de duelos e opostos, repleta de narrativas simbólicas, vistas a partir do olhar da diretora. Nele, a própria Colker interpreta Púschkin, representando uma interação direta com o grupo de bailarinos e sua entrega pelo palco. Na sequência, Belle (2014) traz para o palco o romance Belle de Jour, do escritor franco-argentino Joseph Kessel e adaptado para o cinema surrealista por Luis Buñuel. Passada em um bordel, a obra pende à sensualidade, trazendo a sensação de desejo enigmática vista também nas obras Nós (2005) e Cruel (2008), ao som de Miles Davis e música eletrônica.

A evidente referência acrobata dos espetáculos também levou Deborah à tenda armada do Cirque du Soleil. Em Ovo (2009), o movimento se assume comprovadamente saltimbanco, mímico, ginasta, em um espetáculo que tem como temática o minimundo do insetos. “A dança dos insetos se traduz em emoção, reflete o meu vocabulário coreográfico, o meu amor pela música e a inspiração que tiro do esporte”, diz. Única mulher a dirigir um espetáculo da trupe canadense, Deborah levou ao mundo a linguagem corporal brasileira, em ritmo de samba e bossa, funk carioca e baião, forró e carimbo.

O furacão Colker ainda foi responsável pela abertura das Olimpíadas Rio 2016, quando mostrou versatilidade também em comandar não profissionais – no caso, os cerca de 6 mil voluntários que fizeram a festa. Novamente, atraiu as lentes do mundo todo, tendo como matéria-prima o corpo e o movimento e a história da ocupação do território brasileiro, desde seus primórdios. Simultaneamente, a companhia voltou aos palcos com a montagem de VeRo, que se pode ser definido como um pot-pourri de cenas dos espetáculos Velox e Rota, uma retomada desafiadora dos limites do homem e do espaço. Como síntese ou ápice, o trabalho torna ainda mais evidente como as ideias de Deborah, conjugadas com o vocabulário da ação, originam a imagem movimento. Que nada mais é do que uma arquitetura da arte espaço físico. Ou, como ela mesma define, apenas dança.

“Não e impossível são palavras que não têm lugar no meu dicionário” Deborah Colker

“Dançar é ocupar espaços, a arquitetura do movimento” Deborah Colker

Joias: Greenery

De quantas graças tinha, a Natureza
Fez um belo e riquíssimo tesouro,
E com rubis e rosas, neve e ouro,
Formou sublime e angélica beleza.

Pôs na boca os rubis, e na pureza
Do belo rosto as rosas, por quem mouro;
No cabelo o valor do metal louro;
No peito a neve em que a alma tenho acesa.

Mas nos olhos mostrou quanto podia,
E fez deles um sol, onde se apura
A luz mais clara que a do claro dia.

Enfim, Senhora, em vossa compostura
Ela a apurar chegou quanto sabia
De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.

Luís de Camões

Cerca de 40 anos atrás a americana Pantone Inc. desenvolveu um rigoroso sistema numérico para identificação das cores, facilitando a padronização de trabalhos na indústria gráfica. E desde 2000 a Pantone elege anualmente uma cor que serve de base para diversos segmentos basearem suas tendências, especialmente a moda e o design.

Em 2017 a cor escolhida foi o Greenery, um tom que remete a exuberância da natureza, a renovação das folhagens, a restauração proporcionada pela vida ao ar livre. Fresco e moderno, o Greenery é um tom amarelo-esverdeado explorado em diversos tons da joalheria Manoel Bernardes através de pedras preciosas como a apatita, esmeralda, turmalina, peridoto, crisoprásio e tsavorita.

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O verde hipnotizante da esmeralda encanta e fascina

“O verde é uma cor que sempre esteve presente no mundo da moda, hoje ele é realidade de uma forma mais intensificada. Nossas peças caminham por essa história do verde representada através da inspiração na natureza, em sintonia com a brasilidade, presente no DNA das peças da grife, e as gemas brasileiras”, destaca Manoel Bernardes, presidente da joalheria.

Combinado com a prata negra, ouro branco, ródio negro e ouro amarelo as nuances verdes das pedras ficam ainda mais evidentes. Elegantes e marcantes mas ao mesmo tempo neutras e eternas, as joias acompanham a mulher moderna nas mais variadas ocasiões.

Coleções Manoel Bernardes

Dark: Esmeraldas e diamantes compõe joias em prata negra ou ouro branco com ródio negro.

Mar: Tsavorita, safira azul, topázio branco, diamantes em joias em ouro branco.

2U: Peridotos, topázio azul são combinados ao couro e ouro amarelo.

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” Antoine Lavoisier

COTIDIANO: Além do papel

Em uma época de consumo desenfreado onde o ter supera o ser, artistas quebram paradigmas e buscam uma ruptura social ao valorizarem o universo minimalista, evidenciando a simplicidade e a beleza natural do mundo e dos seres humanos. Um fósforo queimando, um aperto de mãos desconhecidas e até um simples momento de reflexão se tornam instalações artísticas propondo uma resignificação de elementos do dia a dia. Em uma outra vertente a beleza etérea das flores, se intensifica quando registrada fora de seu ambiente natural, como no espaço ou no fundo do mar.

Pioneira da arte conceitual e uma das primeiras a questionar as fronteiras tradicionais entre a obra e o público, Yoko Ono é uma das principais artistas experimentais e de vanguarda. A renomada artista traz seus questionamentos para São Paulo em 2017 com a exposição O CÉU AINDA É AZUL, VOCÊ SABE…, em cartaz no Instituto Tomie Ohtake.

“O CÉU AINDA É AZUL, VOCÊ SABE… evidencia as narrativas que expressam a visão poética e crítica de Yoko Ono”– Gunnar B. Kvaran

Nessas peças a artista solicita do público as suas histórias e faz de sua obra um algoritmo que os processa, publica e armazena

Com curadoria de Gunnar B. Kvaran, crítico islandês e diretor do Astrup Fearnley Museum of Modern Art, em Oslo, a exposição O CÉU AINDA É AZUL, VOCÊ SABE… pretende revelar os elementos básicos que definem a vasta e diversa carreira artística de Yoko Ono – uma viagem pela noção da própria arte, com forte engajamento político e social. Como uma das poucas mulheres a participar do Grupo Fluxus, happenings dos anos 60, a artista continua questionando de forma decisiva o conceito de arte e do objeto de arte, derrubando esses limites. Sendo pioneira ao incluir o espectador no processo criativo, convidando-o a desempenhar um papel ativo em sua obra.

E é exatamente esse trabalho simbiótico que será apresentado na exposição brasileira, patrocinada pelo Bradesco e Instituto CCR, e concebida especialmente para o Instituto Tomie Ohtake. As 65 peças de “Instruções”, evocam justamente a participação do espectador para sua realização. São trabalhos que sublinham os princípios norteadores da produção da artista, ao questionar a ideia por trás de uma obra, destacando a sua efemeridade enquanto a dessacraliza como objeto.

O curador ressalta que O CÉU AINDA É AZUL, VOCÊ SABE… evidencia as narrativas que expressam a visão poética e crítica de Yoko Ono. São trabalhos criados a partir de 1955, quando ela compôs a sua primeira obra instrução, Lighting Piece / Peça de Acender (1955), “acenda um fósforo e assista até que se apague”. Na exposição, é possível seguir a sua criatividade e produção artística pelos anos 60, 70, 80, até o presente.

As “Instruções” de Yoko Ono, conforme o curador do Instituto Tomie Ohtake, Paulo Miyada, oscilam entre sugestões tão sucintas e abertas que se realizam tão logo são lidas, como Respire (1966), Sonhe (1964), Sinta (1963), Imagine (1962), ou em uma sequências de ações realizáveis por qualquer um que se dedique a isso, como Pintura para apertar as mãos (pintura para covardes) (1961), “fure uma tela, coloque a sua mão através do buraco , aperte as mãos e converse usando as mãos”; Peça de Toque (1963), “toquem uns aos outros”; Mapa Imagine a Paz (2003), “ peça o carimbo e cubra o mundo de paz”.

Há também as sugestões aplicáveis apenas no campo mental, poético ou imaginário, como Peça do Sol (1962), “observe o Sol até ele ficar quadrado”; Capacetes-Pedaço de Céu (2001/2008), “pegue um pedaço de céu, saiba que todos somos parte um do outro”; Peça para Limpar III (1996), “tente não dizer nada negativo sobre ninguém, por três dias, por 45 dias, por três meses”.

Já as proposições como Mamãe é linda (1997), “escreva suas memórias sobre a sua mãe”; Emergir (2013/2017), “faça um depoimento de alguma violência que tenha sentido como mulher”; e Árvore dos Pedidos para o mundo (2016), “faça um pedido e peça à arvore que envie seus pedidos a todas as árvores do mundo”, são casos, como ressalta Miyada, que ao mesmo tempo antecipam e catalisam o poder atual dos depoimentos pessoais multiplicados pelas redes. Nessas peças a artista solicita do público as suas histórias e faz de sua obra um algoritmo que os processa, publica e armazena.

Serviço

Exposição: O CÉU AINDA É AZUL, VOCÊ SABE… – YOKO ONO
Data: 01/04 à 28/05 – De terça a domingo, das 11h às 20h
Ingressos: R$12,00 e R$6,00 (meia-entrada); às terças terças-feiras, entrada gratuita (mediante retirada de senhas na bilheteria do Instituto Tomie Ohtake)
Local: Instituto Tomie Ohtake – Rua Coropé, n. 88, São Paulo – SP

COTIDIANO: O instante, o olhar e as flores

“Os japoneses acreditam que os deuses existem na natureza e a adoram. Temos medo e respeito pelas coisas que estão ocultas, elas possuem um poder esmagador. Nesse sentido, a performance é um tipo de oração” Makoto Azuma

“Procuro novas formas de expor as espécies. Eu embalo-as a vácuo, queimo e congelo – estas ações são tentativas de fazer um recorte de sua beleza” Makoto Azuma

Indecifrável, desafiador, ousado, dono de uma visão única de mundo, Makoto Azuma é o must do momento. Queridinho dos fashionistas, esse “escultor botânico” como é conhecido, gosta de desafiar a realidade e em sua última intervenção, na semana de moda em Paris, ornamentou a passarela do estilista Dries Van Noten, com um de seus projetos mais inusitados: o Iced Flowers. Em maio o artista vem ao Brasil, para a intervenção móvel Flower Messenger, que acontece durante a inauguração da Japan House, em São Paulo. Se estamos preparados para tanta inovação, só o tempo dirá, mas com certeza essa passagem não será em branco e sim, repleta de cor e (é claro) muitas flores!

Foi quase sem querer, numa mudança de rumo na carreira, que Makoto Azuma apareceu. Desembarcando em Tokyo em 1997, ele queria mesmo tocar numa banda de rock, mas por quase uma brincadeira do destino, começou a trabalhar no Ota Market, o maior marcado de flores e plantas ornamentais no Japão. Mas o destino é sábio e ali nascia um florista inusitado, um escultor botânico, um amante da vida e da morte.

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No Facebook Makoto diz que o seu interesse é “fazer as flores/plantas mais vivas do que elas realmente são”, mas seu trabalho não resulta apenas em expressar a beleza delas, indo muito além do superficial. O artista também não ignora a morte, ao contrário, desafia seus limites, propondo a quebra de estereótipos com ideias inimagináveis e projetos com execuções magníficas, tudo fruto de uma relação inovadora com flores e plantas, onde o instante entre o homem e a natureza é o principal motivo. O trabalho de Azuma não é sobre modificar, é sobre a permanência, sobre possibilidades, sobre o mundo, sobre nós e o meio ambiente. Ele nos oferece a reflexão e a busca pelo impossível.

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Provocador, disponibiliza no You Tube, vídeos onde retalha pedaços de carne de vaca e os ornamenta com flores, num misto grotesco e muito reflexivo sobre nossos costumes. Assim, ele transcende a figura do florista e mostra a faceta do artista performático que vai além da crítica pura e simples. “Os japoneses acreditam que os deuses existem na natureza e a adoram. Temos medo e respeito pelas coisas que estão ocultas, elas possuem um poder esmagador. Nesse sentido, a performance é um tipo de oração”, explica o escultor-botânico.

Resistência e beleza

Em 2012 Makoto foi ao extremo e lançou (literalmente) flores ao espaço – numa altitude de 30 km! Denominado Exobiotanica (exobiotanica.com), o projeto levou arranjos de flores para a estratosfera, usando para isso um balão meteorológico com uma câmera digital acoplada – que registrou imagens excepcionais desta arte no espaço. Sobre esse trabalho, Azuma afirma que a ideia foi colocar as flores num ambiente onde elas nunca poderiam existir e dessa maneira fomentar a discussão sobre o limite do possível (ou melhor, do impossível). “Para mim esse é um projeto muito importante. Pessoas que nunca se interessaram por flores, passaram a se interessar pelo assunto vendo essas as imagens”, conta em entrevista a Revista G.Q.

Desafiar a natureza daquilo que é natural, é ponto crucial no imaginário artístico desse florista espetacular. E ele mais uma vez nos deixa perplexos com a surpreendente ideia de congelar flores. Estreado na última semana de moda de Paris e produzido para decorar o desfile do estilista Dries Van Noten – parceiro de Azuma, desde 2014, em outros projetos de moda e arte -, o projeto Iced Flowers, levou as plantas ao limite da resistência, interrompendo seu fluxo natural, uma vez que foram colocadas em cubos de gelo gigantescos. O que parecia chocante acabou por ser encantador, um verdadeiro jardim de gelo repleto de cores. Um mundo surreal e incrível.

O trabalho de Azuma é inconstante e profundo e ao mesmo tempo frio e calculado milimetricamente. Opostas e diversas, suas obras vão além do entendimento comum, mas nunca perdem o sentido. É como se Azuma nos lançasse na complexidade do nada para depois enraizar nossos pés no chão. As plantas são a sua matéria-prima, ele faz com elas o que quer, porém o respeito por elas é algo muito presente no cotidiano do artista. “Procuro novas formas de expor as espécies. Eu embalo-as a vácuo, queimo e congelo – estas ações são tentativas de fazer um recorte de sua beleza”, afirma o florista. Buscando esse recorte, Azuma, cria seus projetos num estúdio no subterrâneo de Tokio, local que o artista acredita ser o melhor para as flores, já que cria uma identidade com suas raízes.

 

Tecnologia a Serviço do Design

Foi na década de 1950 que o Sr. Manoel Bernardes, fascinado pelo universo de pedras preciosas, se tornou o maior distribuidor mundial de gemas brasileiras. Seu legado levou a segunda geração da família a estabelecer, na década de 1970, a joalheria que leva seu nome.

Manoel Bernardes, filho, atual presidente da empresa, responsável pela inovação em design e identidade da marca, fala sobre joalheria e seus desafios tecnológicos e criativos.

Como a Manoel Bernardes vê a questão do design na construção da imagem da marca?

A Manoel Bernardes busca a construção permanente de sua própria identidade, brasileira e contemporânea. Hoje conta com uma equipe de designers, ourives, lapidários e outros profissionais especializados, tornando-se um dos principais representantes da joalheria brasileira, tanto na comercialização de pedras preciosas quanto no desenvolvimento de joias com design exclusivo.

Você considera que suas joias têm atributos que as identificam com sua marca?

Nenhuma dúvida sobre isso. Minha equipe de design e eu discutimos esta questão muito intensamente porque na origem éramos uma empresa de pedras preciosas e de repente estávamos livres para fazer outro tipo de produto com ouro e diamantes.

Então percebemos que nosso principal diferencial seria a busca de uma linguagem mais atualizada e moderna, com o uso das mais recentes tecnologias. É importante para nós que essa contemporaneidade permeie todo o processo criativo. Portanto, pensamos que os consumidores podem identificar a nossa marca a partir desses elementos presentes em nossas joias.

Isso é muito claro. Vemos uma determinada peça e dizemos “esta é uma joia de Manoel Bernardes!”

É por causa da inovação na lapidação das pedras preciosas, uma assimetria intencional … Acho que nossas joias têm características que marcam nossa criação, nosso design. Pode parecer pretencioso, mas a verdade é que precisamos sonhar para que possamos evoluir.

A estratégia da empresa está focada na inovação?

Eu acho que este é um dos elementos-chave para nós. Valorizar a tecnologia é fundamental. Usamos um monte de ouro cortado a laser e muitos métodos diferenciados de corte de pedras como forma de concretizar nossas ideias. No nosso caso, mesmo numa situação econômica difícil, procuramos manter o caráter de inovação e a complexidade das peças, porque é importante para os nossos clientes.

Apesar de todas as dificuldades, é necessário manter a coerência da marca. Se a inovação e a contemporaneidade guiam nosso trabalho, devemos manter todos esses aspectos, mesmo que assumamos risco em um ambiente econômico fraco.

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Esquerda: Pulseira “Mata Burro” com Topázio Imperial, desenhada por Glace Drumond, vencedora do concurso IBGM 2006, representando a região Sudeste. Patrocinador: Manoel Bernardes.

Direita:  Bracelete “Infinity Hug” com citrinos desenhado por Emi Kyouho, 3º lugar no Prêmio IBGM 2012; Patrocinador: Manoel Bernardes.

Que tipo de tecnologias são usadas atualmente pela empresa?

Usamos solda e corte a laser, fundição e prototipagem. Para sua informação, 100% de nossas joias hoje são prototipadas. Acreditamos que as necessidades de hoje estão focadas no desenvolvimento de linhas mais complexas e assimétricas de volumetria irregular, e isso só pode ser feito com precisão através de prototipagem e computadores. Prototipagem por adição é a que mais usamos hoje, porque dá os melhores resultados.

A empresa conduz pesquisa de tendências em moda e comportamento do consumidor para o desenvolvimento de suas coleções?

Penso que esta questão é muito complexa. Estamos sujeitos ao mercado e cada vez que o mercado oscila ou muda seu gosto. Portanto, precisamos nos antecipar a essas mudanças o mais rápido possível ou segui-las conforme necessário. Em certo sentido, nosso projeto está alinhado com as tendências, mas com tendências comportamentais e de fundo. Por exemplo, para um consumidor mais eticamente consciente, quando usamos uma técnica de corte a laser que economiza ouro, somos indiretamente mais responsáveis com o meio ambiente, realizando uma ação sustentável.

Outro ponto: eu trabalho muito duro na questão da identidade. Todas as nossas coleções são destinadas a um grupo que entenderá este idioma. A questão da identidade permeia todo nosso trabalho. Baseamos nossa criação mais em comportamento e menos na questão da forma e cor do momento. É claro que se o ouro rosa está funcionando, fazemos a oferta comercial de ouro rosa, mas nem sempre a joia é criada apenas  para esta versão.

De onde vem a ideia, o conceito para uma nova coleção?

Nossos elementos inspiradores estão fora do universo da joia, e eu acho que é fascinante porque eu raramente olho para as outras peças de joalheria. De alguma forma a arquitetura é um elemento particularmente forte em nosso trabalho porque acreditamos que a forma é um elemento determinante. De certa maneira, fazemos escultura e arquitetura em pequena escala.

Como grande promotor do design de joias no Brasil, Manoel Bernardes tem apoiado e produzido joias para muitos designers qualificados no prestigiado concurso AngloGold Ashanti AuDITIONS Brasil, sendo premiado inúmeras vezes.

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Esquerda:  colar desenhado por Flávia Rigoni, 2º lugar em Anglogold Ashanti AuDitions 2015; Patrocinador: Manoel Bernardes |

Direita: POLI desenhado por Júnea Pitta Fontenelle e Guilherme Canabrava, 1º lugar na Anglogold Ashanti AuDitions 2008, categoria “Designer”; Patrocinador: Manoel Bernardes.

O Caminho do Ouro II

Já visitamos minas, acompanhamos a fundição e nos surpreendemos com a transformação do metal em barras de ouro. Agora, na superfície, o desafio é outro. Vamos descobrir como o ouro puro se transforma nas joias impecáveis da Manoel Bernardes.

A incrível jornada de uma joia.

Agora que já temos o ouro, qual é o próximo passo? Vem com a gente em uma trajetória impecável onde cada etapa merece atenção.

Na indústria.

O ouro puro – ou ouro mil ou 24k – chega no formato de fitas, que facilita o processo de fundição e deixa a mistura com a liga muito mais homogênea. A indústria corta as fitas em pedacinhos e prepara a matéria-prima para o próximo passo.

Quantos quilates?

Chegamos ao instante tão esperado: o momento em que acontece a definição dos quilates e do tom. O ouro mil é misturado com uma liga de prata, cobre e outros metais, denominada bullion. Dependendo da quantidade de cada um, é gerado o ouro 18k ou 14k, na cor amarela, branca, rosé ou vermelha.

Vamos para a fundição.

É nessa etapa que acontece a fundição do ouro à liga. Aqui percebemos a importância do ouro estar cortado em pedaços: além de facilitar o processo, diminui o tempo e deixa a mistura muito mais homogênea.

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Habemus pepitas!

O resultado do ouro com a liga? As pepitas. Ao analisar o processo como um todo, percebemos a importância de separar a fundição do desenvolvimento da joia. Afinal, assim se alcança um controle muito mais rigoroso do teor do ouro.

A Manoel Bernardes integra a AMAGOLD, associação de empresas que oferece garantia do teor do ouro nas joias que comercializa.

Vamos dar forma a joia?

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O designer dá forma a sua criação, em traços manuais que viram imagem virtual na tela do computador. A partir deste projeto, a impressora 3D confecciona uma matriz de borracha, que nada mais é do que uma cavidade com o formato da peça. Este molde é injetado com cera líquida que, quando esfria e endurece, vira uma peça de dimensões reais. Ou, como interpretariam os olhares mais lúdicos: delicadas e curiosas peças que se parecem com Lego.

 Oh, my gold!

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Agrupados e soldados numa espécie de tronco, estes moldes de cera formam a chamada árvore, que é colocada dentro de um cilindro metálico para receber gesso e seguir por horas no forno.

Sob o calor, a cera derrete, mas deixa seu formato impresso no gesso endurecido. Só então o cilindro recebe ouro, que preenche os contornos deixados pelo molde da joia. Jatos de água dissolvem o gesso e, voilà, o que resta é ouro sólido!

Acaba aqui, acaba lá.

Depois de fundidos, os produtos são cortados da árvore para então serem lixados. Só depois as partes móveis são soldadas. Caso o design da joia contemple gemas, ela segue para olhares detalhistas e mãos que combinam delicadeza e precisão. Em outras palavras: a cravação.

 

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Se joalheria é arte, a cravação é obra-prima.

Surreal. Esta é a palavra que mais descreve a paciência e a habilidade necessárias no trabalho artesanal dos experts em cravação. Incrivelmente detalhistas, estes aplicam no metal as pedras lapidadas pela equipe especializada, uma por uma. Esta é uma das partes mais importantes do processo, afinal, você sabe: a beleza de uma joia está na sutileza dos detalhes.

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Brilho impecável!

Pensa que acabou? Ainda faltam toques finais: polimento, para extrair o brilho intenso que você conhece. E banhos de ródio, se for o caso de desenhar algum detalhe em tom diferente da peça.

Parem as máquinas.

Em um tempo onde a tecnologia assume funções antes jamais imaginadas, é difícil absorver todo o meticuloso trabalho que envolve a produção de uma joia. Os ourives fazem mais do que um trabalho manual: é artesanal, é exaustivamente delicado, é a prova de quem sim, a perfeição ainda vem das próprias mãos.

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Falou em perfeição? Check!

Chegamos na última etapa: o controle de qualidade. É neste momento que o profissional confere se todas as etapas foram executadas de forma ideal, avalia a perfeição do acabamento, o funcionamento de fechos, pressões e tarraxas. Só assim, autoriza o envio para as lojas, onde a peça enfim ganhará seu sentido: um encontro muito especial entre você e a sua próxima joia preferida.

O Caminho do Ouro I

Ao ver uma joia na vitrine, é fácil imaginá-la no futuro. Com toda certeza, ela vai combinar com o seu look preferido, com a sua rotina, com aquele momento especial que pede uma produção mais caprichada.

Complicado mesmo é imaginar o que veio antes. Para chegar até ali, o ouro percorreu um longo caminho e passou por diversos processos para, finalmente, transformar-se em joia.

Na arte da ourivesaria cada detalhe do processo exige uma perfeição artística. Meticulosa, artesanal e, cá entre nós, bastante difícil.

Ninguém disse que seria fácil.

Quer descobrir onde tudo começa? Vem com a gente numa jornada que inicia na mina de ouro. Às vezes centenas de metros abaixo da superfície.

Na busca pelo metal mais amado do mundo, a mina é dividida em níveis que deixam de ser utilizados na medida em que todo o ouro é coletado. Ou seja, quanto mais uma mina é explorada, mais profunda passa a ser a busca pelo ouro.

É lá embaixo que o desafio aumenta. Para encontrar o metal, os mineradores realizam uma série de sondagens e explorações. A estimativa é de que existam 7,6 gramas de ouro a cada tonelada de rocha.

Isso mesmo: só 7,6 gramas. E pra facilitar esta busca, equipamentos especializados explodem as rochas, dividindo-as em pequenos pedaços. Estes pedaços são levados para a superfície, onde acontece o beneficiamento e o tratamento do minério.

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Os alquimistas estão chegando.

Aqui estamos na superfície. É nesta etapa que a mágica acontece e o metal é separado da rocha. O próximo passo é o refino depois o ouro é fundido para se transformar em barras.

No fim do arco-íris existe uma barra de ouro.

Aposto que você pensou que as joalherias recebem o ouro no formato de barra, certo?

Nada disso.

A forma como elas recebem a tão aclamada matéria-prima é bem diferente do imaginado. Quer saber como o ouro se transforma em joia na Manoel Bernardes? No próximo post você confere todos os detalhes. Aguarde.

Nova Dinâmica

Sete andares, quase 13 mil metros quadrados, pavimentos escalonados que giram gradualmente, andares desuniformes, terraços verdes e uma simbiose perfeita entre natureza e arquitetura. O novo edifício da Rolex vai mudar os padrões de espaços de trabalho em Dallas, Texas.

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A parceria da Rolex com a arquitetura é antiga. Além de apoiar projetos e eventos, como a Bienal de Veneza e o Mentor and Protégé Arts Initiative, a marca suíça ainda é extremamente cuidadosa com o desenvolvimento de seus edifícios comerciais e lojas. Tanto que quando decidiu construir um novo prédio comercial em Dallas, Texas, escolheu ninguém menos que o renomado arquiteto japonês Kengo Kuma.

 

 

Kuma é o responsável pelo inovador Asakuda Culture Tourism Centre e pelo design do National Stadium, que vai abrigar as Olimpíadas de 2020, em Tóquio. Além disso, é conhecido pela sua habilidade de conectar, com originalidade, prédios, espaços e natureza. Para esse projeto, o arquiteto se uniu à Harwood International, parceira da Rolex há 30 anos, e ao paisagista Sadafumi Uchiyama.

“PENSEI EM COMEÇAR COM A PAI SAGEM, CONECTANDO O PRÉDIO AO CHÃO, COM UMA PAREDE BAIXA DE CASTELO JAPONÊS E TORCER O PRÉDIO PARA MOSTRAR O MOVIMENTO CONTÍNUO DO TERRENO PARA O EDIFÍCIO, DESDE A BASE ATÉ O TOPO”

KENGO KUMA

O edifício será o primeiro projetado por um escritório japonês a ser construído em Dallas e está localizado ao lado do original da empresa, construído em 1984. A imponente fachada é composta por sete pavimentos escalonados que criam uma estrutura retorcida ao girar gradualmente. Seus andares desuniformes permitem a criação de terraços verdes em diversos níveis do prédio. Além dos escritórios, o edifício abrigará salas de reuniões e espaços de convivência.

“Este empreendimento estabelecerá um novo padrão para espaços de trabalho nos EUA”, afirmou o CEO da Harwood International, Gabriel Babier-Mueller. “Pretendemos criar um escritório que apresentará uma mistura única de arquitetura e paisagismo jamais vista em Dallas”, finaliza Gabriel. Kuma concorda: “normalmente, edifícios de escritórios são monumentos independentes e o prédio está separado do espaço em torno dele. Então pensei em começar com a paisagem, conectando o prédio ao chão, com uma parede baixa de castelo japonês e torcer o prédio para mostrar o movimento contínuo do terreno para o edifício, desde a base até o topo – a forma dinâmica do prédio”.

O edifício, que será inaugurado em breve, promete inovar o skyline da cidade texana, que é conhecido por ser um estado não muito sustentável, já que é dominado pela indústria petroleira. Aos poucos os novos projetos em execução na cidade mostram uma mudança de mentalidade, provando que sustentabilidade pode andar de mãos dadas com o futurismo e a inovação.

 

Ausência de fronteiras

Apreciar uma obra de arte num ambiente confortável, funcional e moderno pode ser o ideal de muitos visitantes de museu ao redor do mundo. Ao fazer um rápido tour pelas principais cidades do globo é possível perceber que existem instituições atendendo a essa demanda e indo muito além do esperado. Em Nova York, Denver (ambas nos EUA), Doha (Qatar) e Cidade do Cabo (África do Sul) foram concebidos espaços que unem o melhor da arte e da arquitetura em projetos inovadores.

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Além do conteúdo proposto por museus instalados nessas regiões, suas instalações são um atrativo extra para os apreciadores de arte. Mas nem sempre foi assim. A arquiteta mexicana Yani Herreman, em seu artigo “A New Canvas for a New Creative Talent: Contemporary Trends in Museum Architecture”, publicado na revista Museum (1989), revela que os museus como conhecemos hoje são frutos de transformações que tiveram um start na década de 1960. Entre eles está a consolidação da museologia como uma ciência, o que deixou a profissão de museólogo ainda mais completa com o reforço de outras áreas do conhecimento (comunicação, ciências da computação, sociologia etc.).

Em paralelo, as funções básicas de um museu foram ampliadas, uma vez que eles foram paulatinamente ganhando ares de centros culturais, onde atividades comerciais como lojas, cafeterias e restaurantes passaram a ser bem-vindas. Yani relata ainda a valorização crescente da arquitetura dos prédios com o aprimoramento de estilos, tendências e escolas que ainda fazem a fama de diversos profissionais da área. Com o passar dos anos, eles ficaram ainda mais especializados na missão de encantar os visitantes.

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A prova disso está na relação a seguir, que o convida a embarcar numa viagem em direção a museus espalhados por diferentes países. Em todos eles, é praticamente inexistente a fronteira entre os ambientes internos e externos quando consideramos a localização das obras de arte. As imagens que chegam à retina do público são resultado de um elaborado processo artístico que seduz os sentidos e contribui para ampliar o repertório cultural do interessado.

Zeitz MOCAA / África do Sul

Começamos a trajetória por um projeto que desde 2014, quando foi lançado, alimenta manchetes na mídia por sua ousadia. Planejado pelo escritório londrino Heatherwick Studio, o Zeitz Museum of Contemporary Art Africa (Zeitz MOCAA), na Cidade do Cabo (África do Sul), está em construção e promete ser uma releitura do Complexo de Silos de Grãos da região. Em outras palavras, o espaço incrementará o skyline com um prédio que engloba 42 tubos de concreto (33 metros de altura e 5,5 de diâmetro cada), numa área de aproximadamente 9.500 metros quadrados.

Ao que tudo indica, as áreas de visitação e um espaço central de circulação estarão em sintonia com a estrutura de concreto celular dos silos. Ao todo estão previstos 80 galerias, 18 áreas de educação, um jardim de esculturas na cobertura e uma área para armazenamento das peças, entre outros espaços. Tudo isso será inaugurado em 2017, tendo como missão principal a promoção da arte contemporânea africana.

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Denver Art Museum / E U A

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Do outro lado do mapa-múndi, mais exatamente em Denver(região central dos EUA), o Denver Art Museum é mais um ícone dessa variada lista de museus que encantam os olhos, além de ampliar o conhecimento de seus visitantes. Construída há exatos dez anos com a missão de abrigar a crescente coleção da instituição, a nova sede recebeu o nome de Hamilton Building. Assinado pelo arquiteto polaco-americano Daniel Libeskind, o espaço remete aos picos das Montanhas Rochosas norte-americanas e aos cristais geométricos encontrados nas proximidades da cidade.

“Fui inspirado pela luz e geologia das Rochosas, mas acima de tudo pelo semblante aberto do povo de Denver”, revela Libeskind em comunicado oficial do museu. Em sua área externa, o prédio de estilo arrojado é revestida por 9.000 placas de titânio que refletem a luz do sol, no Estado do Colorado. No lado de dentro estão obras de diferentes períodos históricos realizadas na Ásia, África, Europa e América do Norte. Mas são as mais de 128 exposições temporárias como “Becoming Van Gogh” e “Yves Saint Laurent: the Retrospective”, que garantem visibilidade à instituição.

 

New Museum / E U A

A cerca de 2.800 quilômetros do relevo acentuado dessa região, mais precisamente nos domínios da cidade de Nova York, americanos e turistas de diferentes nacionalidades têm à disposição outro museu que se destaca por ter um estilo arquitetônico marcante. Incrustado no Lower East Side, o novo edifício do The New Museum of Contemporary Art inaugurado em meados de 2007, assemelha-se a um empilhado de sete caixas brancas prestes a tombar no frisson de Manhattan.

“O NEW MUSEUM É UMA COMBINAÇÃO ENTRE O ELEGANTE E O URBANO. NÓS ESTÁVAMOS DETERMINADOS A FAZER UM PRÉDIO QUE REFLETISSE ISSO”
Kazuyo Sejimae Ryu e Nishizawa

Desde 1977, apesar de ter passado por diversos endereços, a instituição ainda é um dos principais endereços da arte contemporânea mundial. “O New Museum é uma combinação entre o elegante e o urbano. Nós estávamos determinados a fazer um prédio que refletisse isso”, afirmam os arquitetos japoneses Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, que assinam o prédio atual, em texto divulgado pelo museu. No total, são quase 54 metros de altura que garantem uma vista privilegiada para as ruas Bowery e Prince, num bairro marcado pela diversidade cultural.

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National Museum / Qatar

Direcionando a rota em direção ao Oriente Médio uma nova obra da arquitetura contemporânea promete abrigar os apreciadores de arte na melhor combinação de conforto, funcionalidade e alta tecnologia. Trata-se do National Museum of Qatar em Doha, no Qatar. Em construção desde 2008 – e ainda sem data de inauguração divulgada – o edifício é inspirado na “rosa do deserto”, uma figura geométrica formada a partir da exposição de cristais de areia a condições de temperatura e pressão diversas.

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O responsável pela obra é o francês Jean Nouvel, que já assinou edifícios em cidades como Bruxelas (Gare du Midi), Paris (Institut Imagine) e São Paulo (Torre Rosewood, ainda em construção). Seu novo projeto no Qatar está sendo erguido em torno do palácio do xeique Abdullah bin Jassim Al Thani, que foi a casa de sua família e a sede de seu governo. Além de salas para exposições, nas quais o foco deverá ser a cultura local, o suntuoso espaço prevê um auditório, duas lojas, dois restaurantes, um café, um centro de pesquisa, laboratórios, um espaço para difusão da culinária do país e um parque repleto de plantas indígenas.

 

Anel de Ouro Amarelo, Pérola e Diamante

Quantos estilos cabem em uma pérola?

Marcantes. Atemporais. Indispensáveis.

Sim, é claro que estamos falando delas: as pérolas. Sofisticadas e versáteis, elas acompanham o passar dos anos com a certeza discreta de que sempre serão as queridinhas do porta-joias.

Já diziam os sábios: “classy girls wear pearls”.

E quem sabe disso muito bem é a Chanel, uma das grifes que mais aposta no poder de evolução da joia. Neste ano, Karl Lagerfeld transformou o Grand Palais no cenário de um desfile triunfal, onde os icônicos colares da maison retornaram ainda mais abundantes e usados na companhia de camélias, tweeds e chapéus.

Uma vez Marilyn Monroe disse que os “diamantes são os melhores amigos das garotas”.

Mas todo mundo sabe que eram as pérolas que acompanhavam a atriz nos momentos mais especiais de sua carreira.

Símbolos de elegância, elas já estiveram em todos os lugares: nos filmes de Hollywood, nos movimentos feministas pelas ruas, nos encontros reais, nas atitudes de empoderamento que marcaram a história das mulheres.

But, can we talk about celebrities? São muitas as divas e mulheres famosas que apostam na pérola parar criar um estilo inconfundível.

Jackie Kennedy

Sem excessos. Este era o lema de Jackie: a ex-primeira dama dos Estados Unidos que ganhou o mundo com a sua elegância. Ao longo de sua vida, cresceu aprendendo a amar os clássicos — e é claro que os modelos de gargantilhas de pérolas e colares com três voltas sempre foram seus preferidos.

Lauren Santo Domingo

A colaboradora da Vogue americana e stylist freelancer conquistou o coração de Anna Wintour com seu estilo clássico com twist, que traz ares de princesa contemporânea. A pérola, é claro, não fica de fora de suas composições, seja no dia a dia ou à noite.

Michele Obama

Vanity Fair já disse: Michele é uma das 10 pessoas mais bem vestidas do mundo. O segredo está nos looks combinados com brincos e colares em bases regulares. Em sintonia com a primeira dama, outros grandes nomes da política mundial revelam ao mundo seu gosto sofisticado por pérolas, como Christine Lagarde — Diretora Gerente do FMI Fundo Monetário Interacional e Angela Merkel — Chanceler da Alemanha que leva seu belo fio de pérolas em suas mais importantes aparições.

Lyz Taylor

Especialista em causar sorrisos e fascínios nos red carpets, Liz Taylor tinha uma afeição especial: a La Peregrina, pérola do século 16 que coroava o colar Cartier. A paixão é mundialmente conhecida até hoje: após o falecimento da atriz, a joia foi leiloada por 11,5 milhões de dólares.

Josephine Baker

A ilustre dançarina e cantora dos anos 20 também marcou época com suas produções no estilo vedete. Considerada a primeira grande diva black das artes cênicas, Freda Josephine McDonald inspirou a moda com suas longas voltas de pérolas e arrasou ao aparecer apenas com um colar em um dos seus shows.

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