Tecnologia a Serviço do Design

Foi na década de 1950 que o Sr. Manoel Bernardes, fascinado pelo universo de pedras preciosas, se tornou o maior distribuidor mundial de gemas brasileiras. Seu legado levou a segunda geração da família a estabelecer, na década de 1970, a joalheria que leva seu nome.

Manoel Bernardes, filho, atual presidente da empresa, responsável pela inovação em design e identidade da marca, fala sobre joalheria e seus desafios tecnológicos e criativos.

Como a Manoel Bernardes vê a questão do design na construção da imagem da marca?

A Manoel Bernardes busca a construção permanente de sua própria identidade, brasileira e contemporânea. Hoje conta com uma equipe de designers, ourives, lapidários e outros profissionais especializados, tornando-se um dos principais representantes da joalheria brasileira, tanto na comercialização de pedras preciosas quanto no desenvolvimento de joias com design exclusivo.

Você considera que suas joias têm atributos que as identificam com sua marca?

Nenhuma dúvida sobre isso. Minha equipe de design e eu discutimos esta questão muito intensamente porque na origem éramos uma empresa de pedras preciosas e de repente estávamos livres para fazer outro tipo de produto com ouro e diamantes.

Então percebemos que nosso principal diferencial seria a busca de uma linguagem mais atualizada e moderna, com o uso das mais recentes tecnologias. É importante para nós que essa contemporaneidade permeie todo o processo criativo. Portanto, pensamos que os consumidores podem identificar a nossa marca a partir desses elementos presentes em nossas joias.

Isso é muito claro. Vemos uma determinada peça e dizemos “esta é uma joia de Manoel Bernardes!”

É por causa da inovação na lapidação das pedras preciosas, uma assimetria intencional … Acho que nossas joias têm características que marcam nossa criação, nosso design. Pode parecer pretencioso, mas a verdade é que precisamos sonhar para que possamos evoluir.

A estratégia da empresa está focada na inovação?

Eu acho que este é um dos elementos-chave para nós. Valorizar a tecnologia é fundamental. Usamos um monte de ouro cortado a laser e muitos métodos diferenciados de corte de pedras como forma de concretizar nossas ideias. No nosso caso, mesmo numa situação econômica difícil, procuramos manter o caráter de inovação e a complexidade das peças, porque é importante para os nossos clientes.

Apesar de todas as dificuldades, é necessário manter a coerência da marca. Se a inovação e a contemporaneidade guiam nosso trabalho, devemos manter todos esses aspectos, mesmo que assumamos risco em um ambiente econômico fraco.

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Esquerda: Pulseira “Mata Burro” com Topázio Imperial, desenhada por Glace Drumond, vencedora do concurso IBGM 2006, representando a região Sudeste. Patrocinador: Manoel Bernardes.

Direita:  Bracelete “Infinity Hug” com citrinos desenhado por Emi Kyouho, 3º lugar no Prêmio IBGM 2012; Patrocinador: Manoel Bernardes.

Que tipo de tecnologias são usadas atualmente pela empresa?

Usamos solda e corte a laser, fundição e prototipagem. Para sua informação, 100% de nossas joias hoje são prototipadas. Acreditamos que as necessidades de hoje estão focadas no desenvolvimento de linhas mais complexas e assimétricas de volumetria irregular, e isso só pode ser feito com precisão através de prototipagem e computadores. Prototipagem por adição é a que mais usamos hoje, porque dá os melhores resultados.

A empresa conduz pesquisa de tendências em moda e comportamento do consumidor para o desenvolvimento de suas coleções?

Penso que esta questão é muito complexa. Estamos sujeitos ao mercado e cada vez que o mercado oscila ou muda seu gosto. Portanto, precisamos nos antecipar a essas mudanças o mais rápido possível ou segui-las conforme necessário. Em certo sentido, nosso projeto está alinhado com as tendências, mas com tendências comportamentais e de fundo. Por exemplo, para um consumidor mais eticamente consciente, quando usamos uma técnica de corte a laser que economiza ouro, somos indiretamente mais responsáveis com o meio ambiente, realizando uma ação sustentável.

Outro ponto: eu trabalho muito duro na questão da identidade. Todas as nossas coleções são destinadas a um grupo que entenderá este idioma. A questão da identidade permeia todo nosso trabalho. Baseamos nossa criação mais em comportamento e menos na questão da forma e cor do momento. É claro que se o ouro rosa está funcionando, fazemos a oferta comercial de ouro rosa, mas nem sempre a joia é criada apenas  para esta versão.

De onde vem a ideia, o conceito para uma nova coleção?

Nossos elementos inspiradores estão fora do universo da joia, e eu acho que é fascinante porque eu raramente olho para as outras peças de joalheria. De alguma forma a arquitetura é um elemento particularmente forte em nosso trabalho porque acreditamos que a forma é um elemento determinante. De certa maneira, fazemos escultura e arquitetura em pequena escala.

Como grande promotor do design de joias no Brasil, Manoel Bernardes tem apoiado e produzido joias para muitos designers qualificados no prestigiado concurso AngloGold Ashanti AuDITIONS Brasil, sendo premiado inúmeras vezes.

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Esquerda:  colar desenhado por Flávia Rigoni, 2º lugar em Anglogold Ashanti AuDitions 2015; Patrocinador: Manoel Bernardes |

Direita: POLI desenhado por Júnea Pitta Fontenelle e Guilherme Canabrava, 1º lugar na Anglogold Ashanti AuDitions 2008, categoria “Designer”; Patrocinador: Manoel Bernardes.