Compromisso: União Celeste

Foi forjada na natureza a aliança, que como um arco no céu, mais conhecido como arco-íris, estabeleceu o compromisso entre Deus e suas criaturas. “Como sinal desta aliança que estou fazendo para sempre com vocês e com todos os seres vivos, vou colocar o meu arco nas nuvens. O arco-íris será o sinal da aliança que estou fazendo com o mundo. Quando eu trouxer nuvens sobre a Terra e nelas aparecer o arco-íris, então me lembrarei da minha aliança com vocês e com os seres vivos de todas as espécies. Nunca mais as águas se tornarão um dilúvio para destruir toda forma de vida.” – Gênesis.

SIMBOLOGIA MILENAR

Derivada do verbo aliar, a palavra aliança significa a união de duas ou mais pessoas em busca de um objetivo em comum, significa um compromisso entre as partes, um pacto, um acordo ou entendimento. Em forma de objeto circular, sem começo, meio e fim, a aliança representa o amor contínuo, como um símbolo do vínculo eterno entre duas pessoas que escolheram passar a eternidade ligadas uma à outra. Um pacto de almas que celebra a fidelidade, a cumplicidade e o amor. Hoje permanece viva a tradição da troca de alianças para o marco de um pedido importantíssimo, que dá início ao matrimônio. Esse objeto circular traz uma carga emblemática para a transformação de duas vidas em uma.

Acredita-se ter sido no antigo Egito que surgiu a ideia da primeira aliança de compromisso. Inspirados pelas secções circulares das plantas, os egípcios viram no círculo um símbolo para representar o amor imortal e interminável. Eles acreditavam que o quarto dedo, hoje mais conhecido como anelar, possuía uma veia ligada diretamente ao coração. Colocada sobre essa veia a aliança significa uma ligação eterna entre duas almas, que prometem dividir suas vidas. No império Romano as alianças também eram usadas no quarto dedo, mas como símbolo de posse. A mulher que usava uma aliança era considerada propriedade do homem que lhe tinha oferecido o presente. Na Inglaterra Medieval, por sua vez, um belo ritual explica o uso do anel no quarto dedo. A noiva usava a aliança no polegar e no dia do casamento o noivo ia mudando o anel de lugar enquanto recitava: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Na atualidade as alianças, que antigamente seguiam um mesmo padrão, refletem a personalidade do casal e com diferentes formatos, cores e materiais promovem uma relação de identidade entre duas pessoas que prometem dividir sua vida até que a morte os separe. O pedido de casamento continua sendo um marco importante na vida da mulher moderna, e o momento da entrega da aliança é muitas vezes idealizado desde a mais tenra idade. São infinitas as histórias de pedidos de casamento apaixonantes, em meio a praias paradisíacas, ao nascer e ao pôr do sol, em topos das mais altas montanhas e até mesmo no fundo dos oceanos. O que muitas vezes não conhecemos são as histórias que precedem esse momento, e que muitas vezes são igualmente especiais.

Semana passada escutei a história de uma amiga que estava numa viagem paradisíaca com o namorado pelas belas praias da Ásia. Num cenário sem igual, estavam os dois à espera da virada do ano quando ele começou a retirar um objeto escuro do bolso. Ela prontamente começou a gritar a plenos pulmões: “Sim, sim, sim, eu aceito”. Ele, de olhos alarmados, sem entender sua reação, terminou de tirar o celular do bolso e checou a hora, disse que estava cansado e não sabia se aguentaria esperar até a meia-noite. Ela virou o ano sem aliança no dedo, mas ao chegar ao Brasil o pedido foi feito numa casa de praia onde eles passam todos os verões. O motivo? Ele achou que seria mais romântico dessa forma, pois o lugar guardava inúmeras memórias do casal. O casamento está marcado para o fim do ano, mas ela nunca o perdoou por não tê-la pedido naquela praia da Tailândia!

Outra grande amiga quase perdeu o noivo por causa da aliança. Era o sétimo dia dos namorados que passavam juntos e ele mencionou que já tinha comprado seu presente e que ela iria adorar. Era exatamente o que ela queria, e era dourado. Depois de sete anos de namoro e com quase trinta à espera do príncipe encantado, não havia nada no mundo que ela quisesse mais do que uma aliança. Então teve certeza de que aquele seria o grande dia! Preparou-se psicologicamente, ensaiou a resposta e a cara de espanto. Estava totalmente preparada para que o momento do SIM fosse PERFEITO. Quando chegaram ao restaurante, sentaram à mesa e começaram a trocar os presentes. Ela viu que a caixa era grande, mas imaginou tratar-se de uma pegadinha. Para sua grande surpresa, ao abrir a embalagem descobriu que o tão esperado presente era UM TÊNIS. Ela foi tomada por uma fúria intensa, jogou o presente no namorado, terminou tudo e saiu aos prantos. Meses depois eles reataram, com um pedido simples, mas cheio de afeto. Em abril deste ano tornaram-se marido e mulher, numa cerimônia emocionante, cercados de amigos e familiares. Ela finalizou seus votos com a seguinte frase: “Hoje, a minha vida não é mais minha, é nossa.”

Lágrimas dos Deuses

Em 1477, o arquiduque Maximiliano, da Áustria, solicitou que fosse encontrado o mais belo e puro diamante para que com ele fosse forjado um anel simples e liso, com a pedra cravada no centro. Esse presente seria destinado a sua pretendente, Maria de Borgonha, para oficializar seu noivado. Ao colocar a joia na mão esquerda de sua amada e jurar-lhe amor eterno o duque iniciou a tradição do uso do solitário num dos rituais mais antigos da humanidade. O diamante, visto por muitos povos antigos como estilhaço das estrelas ou lágrimas dos deuses, traz em sua solidez transparência e beleza, símbolo ideal para a união eterna.