Vivas, sempre!

TERRITÓRIO DE GEOGRAFIA ÍMPAR, A SERRA DO CIPÓ É UM DOS DESTINOS FAVORITOS DE QUEM BUSCA CONTATO COM OS BELOS HORIZONTES BRASILEIROS

Há cerca de dez mil anos, as primeiras pegadas humanas marcaram uma região de amplas paisagens, onde o cascalho dos granitos, quartzitos e calcários se estendiam num interminável tapete, cortando as rochas e levando às nascentes e aos rios espalhados por todo o caminho. Ainda sem as botas, mochilas e barracas da atualidade, esses aventureiros pré-históricos certamente foram os pioneiros do trekking, um dos esportes de aventura mais procurados por ali. Além deles, vale uma observação antropológica, os tupis-guaranis povoaram os arredores e deixaram um tanto de vestígios espalhados pelos sítios arqueológicos encontrados séculos depois.

Situado no centro do estado de Minas Gerais, a cem quilômetros de sua capital, Belo Horizonte, o Parque Nacional da Serra do Cipó está numa área de 33.800 hectares que alcança os municípios de Jaboticatubas, Santana do Riacho, Morro do Pilar e Itambé do Mato Dentro. Com um conjunto botânico variado, de aproximadamente 1.700 espécies de plantas relacionadas, o local também é casa de generosa fauna composta por anfíbios, pássaros, mamíferos, répteis e insetos, alguns deles ameaçados de extinção e protegidos pelas equipes que fiscalizam o perímetro.

Adjacentes aos paredões próprios para a escalada, tingidos pelos tons do laranja, do amarelo e do vermelho, estão os cânions, as grutas e as cavernas, numa topografia que varia entre 700 e 1.670 metros de altitude. Para os esportistas que realizam suas expedições na Serra do Cipó, as veredas são um espetáculo à parte. Nas trilhas do Vale dos Mascates, por exemplo, com acesso pela portaria Areias, o visitante atravessa o Córrego das Pedras, e sua água cristalina, para chegar até o Ribeirão Mascates, onde as grandes rochas servem de apoio para uma pausa durante o passeio.

Rumo à Cachoeira da Farofa, o trajeto plano e de poucas árvores se divide por artérias que levam a roteiros diferentes, como a Cachoeira Capão dos Palmitos e o Cânion das Bandeirinhas. É possível fazer o percurso andando ou pedalando até o contorno dos trechos íngremes, caso das quedas d’água, do paredão de quase 80 metros de altura e das piscinas e duchas naturais. Saindo do Vale dos Mascates, outro segmento da Serra do Cipó inclui as trilhas do Vale do Bocaina, cuja entrada se dá via portaria do Retiro.

Costurado por três grandes quedas d’água – do Tombador, do Gavião e das Andorinhas –, o itinerário, que tem a cadeia do Espinhaço como companhia, encanta os frequentadores com a vegetação característica do cerrado, tendo nas gramíneas brotadas entre os campos rupestres, nas sempre-vivas, velózias e árvores de jatobás e de sucupiras as suas representantes mais sedutoras. O espaço é monitorado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente, e está aberto para visitação, diariamente, das 8h às 18h. Convite feito, hora de render-se às novas experiências.

Saiba mais: www.icmbio.gov.br/parnaserradocipo