Sentir: Termoludismo

Restituir o equilíbrio e a vitalidade através das águas termais não é uma novidade dos spas. “O banho, o vinho e Vênus consomem o corpo, mas são a verdadeira vida”. Na Roma do antigo império, cerca de mil banhos públicos entretinham a sociedade. Mais do que um ritual de higiene, eram momentos de lazer, cultura e convívio. Em Bath, na Inglaterra, os romanos construíram templos às termas e os monges medievais tiraram suas batinas. Originou-se então a palavra inglesa para o ato de lavar-se. Para fins medicinais, estudos de crenologia reafirmam as propriedades curativas da água mineral. Das composições sulfurosas, alívio das doenças de pele, das ricas em sílica, ações antiinflamatórias – bem como muitos outros relatos de benefícios aos problemas articulares e ósseos. A Europa concentra a maior quantidade de fontes termais, muitas delas exploradas em complexos hoteleiros e paisagens naturais deslumbrantes. Mergulhe de corpo e alma.

Baños Arabes / Espanha

Herança dos mouros de Andaluzia, foi o primeiro hammam tradicional reaberto na Europa depois que governos cristãos ordenaram o fechamento das casas de banho, no século 16. Num ambiente que preserva a opulência árabe – com abóbadas, colunas e mosaicos típicos – é possível realizar o intenso ritual do hammam, emergir em águas termais e desfrutar de massagens relaxantes e aromáticas.

 Banhos Széchenyi / Hungria

Se Budapeste é a Cidade dos Banhos, Széchenyi é seu principal representante. Localizado no Parque da Cidade e muito frequentado pelos locais, é um complexo em estilo neobarroco construído em 1913. Ao todo são 18 piscinas de águas termais, muitas com jatos de hidromassagem, e dez saunas a vapor. Prefira os salões internos, onde o silêncio reina. Acomode-se num dos assentos que contornam a piscina e relaxe enquanto aprecia a riqueza dos tetos decorados.

Blue Lagoon / Islândia

Em meio a uma paisagem gélida, águas vaporosas rompem um campo irregular de lava em Grindavík, a cerca de 40 quilômetros da capital Reykjavík. A piscina de águas minerais, que chegam à temperatura de 39°C, é abastecida pela usina geotérmica Svartsengi e oferece banhos de lama branca, rica em sílica.

Therme Vals / Suíça

Na encosta do cantão suíço de Graubüngen, a cerca de duas horas de Zurique, essa terma provém da fonte natural de água quente Saint Peters, que contém cálcio, sulfato, hidrogênio, carbonato e ferro. As piscinas de hidroterapia, nas quais se permitem banhos noturnos, constroem uma paisagem onírica em meio aos Alpes nevados. Imponente e minimalista, o hotel adjacente foi reformado pelo arquiteto Peter Zumthor, premiado no Pritzker em 2009.

Pamukkale / Turquia

Patrimônio Mundial tombado pela UNESCO, o Castelo de Algodão na Província de Denizli é utilizado há séculos no tratamento medicinal de diversos males. Às margens das ruínas da cidade bizantina e greco-romana de Hierápolis, a Cidade Sagrada, as fontes termais deslizam como cascata pela colina de 200 metros de altura. A precipitação de carbonato de cálcio, proveniente das águas quentes da montanha, dá origem às piscinas de mármore travertino, nas quais é possível nadar e vislumbrar um pôr do sol sem igual.

The Gainsborough Bath Spa/ Inglaterra

Dos celtas aos saxões, as propriedades curativas das águas de Bath são notórias. Descoberta pelo príncipe Bladude, em cerca de 863 a.C., é a única fonte termal da Grã-Bretanha. No spa central, The Gainsborough, há piscinas com hidromassagem – uma delas ao ar livre com vista para Bath Abbey – tratamentos corporais com pedras quentes e quatro saunas de ervas aromáticas. Eleja sua favorita: lavanda, jasmim, pinheiro ou eucalipto.

Terme di Saturnia / Itália

Imersa numa paisagem idílica na Toscana, integra a estrutura de um hotel refinado, que preserva uma atmosfera serena. A piscina principal se mantém a 37,5°C e é reabastecida a cada quatro horas por uma fonte vulcânica. No spa medicinal, tratamentos holísticos, à base de lama, e um programa batizado de “reset natural” também estão abertos a não hóspedes.