Publicado em

Universo: Cinema

Nos mais de 100 anos da história do cinema, incontáveis histórias foram contadas, com os mais variados êxitos e sob os mais transgressores pontos de vista. Se olharmos para os primórdios do cinema, o cineasta e ilusionista francês Georges Méliès foi definitivamente o primeiro a se aventurar no tema, fazendo o impressionante Viagem à Lua, em 1902. Qualquer pessoa que se interesse minimamente por cinema já teve ter visto a imagem de uma nave espacial acertando em cheio a Lua nos olhos. E 114 anos depois Méliès com certeza sorri para o talento que originou inúmeros e fascinantes títulos.

Nesses 114 anos, desde Viagem à Lua, o tema “homem e Espaço” foi explorado e re-explorado nas mais fantásticas abordagens

Todos esses exemplos, de uma maneira ou outra, trouxeram elementos do nosso fascínio pelas estrelas e superaram todas as expectativas do que era possível fazer no cinema

Mesmo com a incrível iniciativa de Méliés em 1902, a indústria do cinema demorou para retomar o tema. O filme A Mulher na Lua, de 1929, com certeza foi fascinante exemplo da busca pelo espaço sideral e da avareza do homem. Dirigido pelo diretor Fritz Lang – um dos mais importantes cineastas do movimento expressionista alemão – o filme é um marco na história do cinema.

Demorou alguns anos até que um filme verdadeiramente imponente e importante fosse lançado, e veio das mãos de ninguém menos que Stanley Kubrick, com 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968). Interessante notar que críticos e audiências receberam o filme com ceticismo em sua estreia, mas o boca a boca e as ideias que o filme se propôs a levantar o transformaram no maior sucesso do ano. O filme é considerado até hoje um marco não somente dentro do gênero ficção científica, mas também como um dos melhores filmes da história do cinema. Mesmo quase completando 50 anos de seu lançamento, permanece atemporal e continua sendo um excelente exemplo da nossa incansável busca por significado.

Além da sua importância para a história do cinema, o filme abriu um precedente da exploração “séria” de ficção científica e do cosmos. Em 1972, o diretor soviético Andrei Tarkovsky lançou Solaris, com uma temática bem similar. A trama, baseada na obra do autor polonês Stanislaw Lem, concentra-se em cosmonautas que partem para o planeta oceânico Solaris com o qual se propõem a fazer contato. Porém o que eles acabam fazendo é uma verdadeira reflexão sobre si mesmos e seus relacionamentos na Terra. Um profundo e importante filme, que permite discussões filosóficas inteligentes.

As décadas de 70 e 80 foram bem prolíferas e geraram uma série de filmes e sagas de ficção que atingiram níveis estrondosos de sucesso: Star Wars (1977), Contatos Imediatos de 3º Grau (1977), Star Trek (1979 – o primeiro longa-metragem da já popular série televisiva), Alien (1979) e E.T. – O Extraterrestre (1982). Todos esses exemplos, de uma maneira ou outra, trouxeram elementos do nosso fascínio pelas estrelas e superaram todas as expectativas do que era possível fazer no cinema.

No entanto, somente 15 anos depois da obra de Steven Spielberg que um filme inteligente sobre o espaço foi lançado: Contato (1997). Com base na obra do astrofísico e cosmólogo Carl Sagan – que participou ativamente das filmagens – o filme conta a história da obsessão de uma funcionária da SETI (sigla inglês que significa Busca por Inteligência Extraterreste) em fazer contato com alguma civilização extraterrestre. No entanto, ao invés de se concentrar somente nessa questão o filme é uma fantástica discussão de religião versus ciência.

Seguindo nessa mesma linha, dois filmes contemporâneos conseguiram se aprofundar no tema e ofereceram aos cinéfilos muito o que discutir: GravidadeInterestelar. O primeiro, dirigido pelo cineasta mexicano Alfonso Cuarón, tem similaridades com Solaris. O filme pode ser resumido numa missão espacial fracassada e a resiliência da astronauta interpretada por Sandra Bullock, mas, mais uma vez, é no espaço que as reflexões mais profundas acontecem. No caso do segundo filme, Interestelar, dirigido com competência por Christopher Nolan, os temas da busca pelas infinitas possibilidades que o Universo oferece é explorado com maestria. O planeta Terra está morrendo e a solução está nas estrelas, e é lá, no meio de dobras de tempo e muita filosofia, que são encontradas as mais inusitadas respostas.

Por fim, é importante mencionar um dos indicados ao Oscar 2016, Perdido em Marte. O filme, dirigido pelo diretor veterano em ficção científica, Ridley Scott (Alien, Blade Runner, Prometheus), e com uma atuação central soberba de Matt Damon, acompanha a história de Mark Watney, um astronauta numa missão no planeta Marte, que depois de um acidente é deixado para trás no inóspito planeta. O filme mais uma mais exerce fascínio sobre audiências, pois é uma combinação de vários elementos: busca pelo Espaço e superação do homem.

Nesses 114 anos, desde Viagem à Lua, o tema “homem e Espaço” foi explorado e re-explorado nas mais fantásticas abordagens, e certamente continuará sendo foco, até que respostas mais concretas sobre nossas origens sejam respondidas. Sorte para nós que seguiremos com prazer os lançamentos futuros e alimentaremos um pouco mais o nosso fascínio.

 

Créditos

Perdido em Marte: Fox Filmes
Gravidade: Warner Bros
Interestelar: Warner Bros
2001_Odisseia: Warner Bros
George Melies: Divulgação
Nasa: National Aeronautics and Space Administration – NASA