Opiniões | 08/01/2008

Além das vitrines


Semiologia do consumo estuda alma dos produtos

Ela andou pelos Estados Unidos e Europa antes de se radicar em São Paulo para estudar semiologia. Criou um site para discutir moda como cultura. Foi o que faltava para se tornar uma cool hunting ou garimpeira de coisas bacanas, com foco no que as empresas precisam. “Meu trabalho é andar pelo mundo e unir teoria, negócios, arte e estética para enxergar o que os consumidores querem comprar”, afirma Carol Garcia, jornalista e semióloga do consumo. “Os produtos são símbolos do eu”, diz ela. “Todas as pessoas são produzidas na prateleira da vida e nós ajudamos a construir a embalagem”.

A semiologia do consumo estuda a construção da significação das pessoas. “A partir daí, é possível descobrir qual tipo de vinculação a empresa pode manter com seus clientes e consumidores”, explica Carol. Esta vinculação pode se dar pelas vias maternal, quando o produto é relacionado a memórias afetivas; filial, nos casos em que o produto não sobrevive sem o dono; fraternal, toda vez que o bem dá a sensação de pertencimento a um grupo; sexual, quando o produto garante emoções sexuais; e paternal, quando o produto é ditatorial quanto aos desejos e à forma de vida do consumidor.

“Somos feitos de carências”, avalia a semióloga. “Os objetos vêm para supri-las e, por isso, têm significados construídos na cultura”, diz ela. “Um produto só ganha alma e valor com seu uso e, por essa razão, o conhecimento aprofundado dessa área deve ser usado com ética e respeito humano”.